quarta-feira, 6 de julho de 2011

Platão X Nietzsche - 1º Round

(Platão permanecia sentado, absorto em seus pensamentos, distante. Deixei Platão e puxei papo com Nietzsche).
- Então Nietzsche.... começamos pelo vinho ou uma cerveja alemã?
- Não bebo, a bebida torna os homens falastrões! Os alemães destruíram toda cultura ocidental com sua cerveja.
- Um café então?
- Café demais entorpece as ideias.
- Me perdoe a insensatez, mas de onde você tirou isso?
- Não leu Ecce Homo?
- Sim, mas não achei que você falava sério!
- Claro que não imbecil. Comecemos pelo vinho! É bom?
- É um Porto Nietzsche.
- Ah! Você gosta de brincar com metonímias, não é?
- E a verdade é o quê?
- Batalhão de metáforas, moeda gasta meu caro! Por falar em moeda, estou sem marcos. Será o que o velho demente trouxe uns dracmas? E Sócrates, não veio? Covarde!
(Pensei: putz, no final terei que rezar pra Santa Visa ou São Mastercard!) - Falando sinceramente Nietzsche, acho que ele não existe!
(rindo me voltei para Platão).
- Ei, Platão, Platão?
- Oi, desculpe, minhas ideias estavam longe!
- (Nietzsche esboçou um riso sarcástico e disse baixinho) - Novidade! Vive sempre no mundo da lua, numa cucolândia das nuvens!
- Você fala comigo? Afinal, quem é você? Acho que eu não te conheço!
- É melhor nem me conhecer. Sabe sua constante enxaqueca Platão? É o meu martelo!
- Por que não tira o “véu” de suas palavras?
- Aletheia!! Dialética!! E vocês acreditaram que isso era possível. As palavras são apenas máscaras, esconderijos!
(Voltando-se para mim, Platão se irrita) - Não sabia que você havia convidado um louco para esse Banquete! Em seu email havia alusão a um filósofo!
- Calma Platão. Na sua idade, você pode enfartar! Bebe um Porto ou uma Brahma?
- O quê? Você também é louco? Beber um Porto, Brahma não é um deus?
(Nietzsche irônico) – Metonímia Platão! Não leve tudo tão a sério. Seja um pouco dionisíaco! Embriague um pouco seu espírito!
(Platão mostrando certa irritação) – Como se a filosofia fosse conversa de “buteco”!  Saudade da minha “Academia”. Lá sim, filosofam homens sérios!
(Nietzsche rindo) – Um bando de dementes que acreditaram em você e disseram não à vida e a si mesmos. Você levou Sócrates muito a sério, e ele era ironia pura. Por sinal, ele não veio? Ficou com medo?
(Platão levantando-se, já bastante irritado) – Somos gregos, não se esqueça disso, coragem é uma de nossas principais virtudes, senhor...Nite?
- Não, é NIETZSCHE!
- Como se escreve isso? Isso é um nome? O que significa? De onde você veio? De outro mundo?
- Ah! Voltou a falar de outros mundos? Sou alemão, mas Turim é a minha casa!
- Turim? É um lugar? Uma pessoa? Nossa! Vocês falam por meias palavras. Estou ficando confuso. Acho que vou embora. O mundo de vocês está todo no avesso! Parecem falar por códigos! Que horror!
(Nietzsche riu demoradamente. Levantando-me tentei acalmar os ânimos) – Senta Platão, isso aqui não é Filosofia pura, não é dialética, não vamos tirar os “véus”. Meu objetivo é que vocês se conheçam um pouco melhor, só isso!
- Eu o conheço bem Platão, li todas as suas obras. Confesso que você me irrita!
- E eu não conheço você, muito menos o que escreveu sobre mim.
- Não apenas sobre você e Sócrates. Mas sobre Paulo, Agostinho, Jesus, os judeus, Richard Wagner. Se você quiser, podemos procurar uma livraria aqui por perto. Mas primeiro vou ter que te ensinar alemão porque você prefere sempre o original, não é? Odeia cópias! (Nietzsche nemeia a cabeça e diz baixinho: o mundo é uma cópia! Senil!).
(Platão coça sua barba, revira seu cabelo) – Éeéé! Alemão? Huumm....tudo bem! Mas antes, me dá um Porto, pelo amor de todos os deuses!
(Rimos e propus um brinde) - Está aprendendo Platão...metonímias, metáforas!! A Dionísio!! Tim-Tim!


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