segunda-feira, 4 de julho de 2011

Platão X Nietzsche: a reconciliação do inconciliável!

Passaram-se mais de dois mil anos e Nietzsche não é capaz de perdoar Sócrates e Platão. Seu martelo filosófico tem deixado Platão com enxaquecas constantes. O pobre octogenário tem passado à base de Buscopan.
Então, decidi mediar uma reconciliação. Poderia ser em um templo de Afrodite ou de Apolo? Não dá, Sócrates descria nos deuses da cidade e por isso bebeu a cicuta. Pensei então num templo budista. Serenidade, paz, quietude! Sem chances, Nietzsche odeia passividade, mesmice. Já sei: uma bela catedral! Nem pensar, Nietzsche odeia tudo que cheira cristianismo. Opa, um shopping? Novidade, não é? Caramba viu!! Platão não se liga nas coisas do corpo, é só alma, alma.... Ah, meu Deus! (desculpe Nietzsche, foi mal!) Não resta saída: bar mesmo!
Convite enviado e para o meu espanto, três confirmações. Aí pensei: três? Mas eu convidei dois! Ah, já sei: talvez Sócrates seja como Atena que saiu de dentro da cabeça de Zeus. Vai ver, no momento da mais pura dialética, ele salte da cabeça de Platão e diga para Nietzsche usando toda sua ironia: “Você é um sábio?”.
No dia seguinte, cheguei primeiro, pedi mesa para quatro e um Porto! (Ehhh Nietzsche.... é tudo uma questão de metáforas e metonímias mesmo!)
(Monólogo da Primeira taça: huummm....perfeito!) Meu Deus, não posso me animar muito. Se eu tomar demais, o tiro sai pela culatra. Afinal, tenho uma queda por Nietzsche e ele é capaz de usar seu martelo pro golpe derradeiro. Tudo bem que se Platão morrer, vai até agradecer. Afinal, a alma dele ficará livre e poderá retornar para o seu mundo ideal. Nossa!!! Deixa Nietzsche ouvir uma cucolândia dessas. E dá-lhe outra martelada!
 Putz.... preciso consultar o saldo do meu cartão de crédito. Se Platão não trouxer alguns dracmas e Nietzsche uns tiquinhos de marcos, “tô” ferrado! Bom, vai ver nenhum dois bebe e ainda pagam a conta. Seria perfeito, mesmo acabando em pancadaria!
(Primeiro chega Platão) - Barba por fazer, olhar meditativo, ombros cansados. Talvez, sintomas de uma viagem longa. Afinal, de Atenas a Itapeva é chão pra burro! Apesar do cansaço manteve um olhar sereno e me disse: não aguento mais essas viagens pra convencer os homens a pensarem mais, a olharem mais para dentro de si mesmos. O que querem os homens? Tudo aqui é passageiro! (Pensei: menos o cobrador e o motorista Platão!)
(Nitetzsche chega pouco depois - até estranhei o atraso por se tratar de um alemão). Passada forte, olhar firme, punhos cerrados e um bigode bem aparado e penteado. Justificou seu atraso dizendo que estava lá fora conversando com um homem que segurava uma lanterna e procurava Deus. Não me contive e perguntei: e o que você respondeu Nietzsche? – que ele está louco porque “Deus está morto!” desde o século XVI.
Pensei: embebedo os dois ou me embebedo primeiro?  

2 comentários:

  1. (Enviado por Lilian via email)
    Seu encontro com Platão foi inusitado, pois convidar um ateniense e um alemão para visitar um bar em Itapeva, a fim de fazer a conciliação entre os dois, é uma situação surreal, pois nos faz viajar nessa hipótese improvável, do ponto de vista da natureza humana, porém justificável do ponto de vista cognitivo. E é nesse parâmetro que a filosofia se torna um veículo profícuo e aprazível para a viagem rumo à reflexão. Pena que poucos passageiros embarcam nessa viagem...
    Bem, voltando à conciliação, fica uma dúvida desta leiga leitora... Nietzsche pode criticar o pensamento platônico; O que Platão diria sobre o pensamento nietzschiano?? a propósito.. a posição da cadeira, alheia à TV é proposital??

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  2. Viajando na Filosofia28 de julho de 2011 09:42

    Bom Lilian...com relação à primeira questão, vou verificar com Platão que tipo de objeções ele faria ao pensamento de Nietzsche. Acho bem provável que Platão tenha direito de resposta. Vamos garantir a ele esse direito. Sei que Nietzsche vai me dar inúmeras marteladas. Paciência!
    Com relação à posição da cadeira e da TV, com toda honestidade, não havia pensado absolutamente nada sobre isso. Mas sua observação é relevante. Afinal...."A televisão me deixou burro, muito burro demais" Abraço!

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