quinta-feira, 30 de agosto de 2012

"Dor de dente"

Todos os humanos consideram-se seres inteligentes, sagazes e perspicazes.
Pelos menos potencialmente isso não deixa de ser coerente, visto que na história
conhecemos alguns poucos exemplos de humanos excepcionais.
Nós pobres mortais nos contentamos com nossos minutos de fama.
Mas numa coisa todos nós somos iguais, nobres ou plebeus: com "dor de dente" não há sensatez que resista, nem pensamento que exiba um resquício de lógica, muito menos perspicácia para ouvir o zumbido do pernilongo mais chato.
Dizia Montaigne que se alguém nos olha com desdém e soberba, é só imaginá-lo
ao sanitário, e todos nos igualamos, afinal: "Reis e filósofos defecam!"
Pretenciosamente acrescentaria a essas sábias palavras do mestre cético as minhas:
se alguém o olhar com ar de superioridade, imagine-o com "dor de dente".
Pronto, toda sua fortaleza vai à ruína. Nem Aquiles sairia em batalha! Afinal:
"Heróis e covardes igualam-se diante da dor!"
Como não sou herói, mas um pouco covarde, vou cuidar da minha!
Alguém tem um martelo?

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