segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Você é um vitorioso!

Por duas simples razões: primeiro, porque venceu a corrida com quase 200 milhões de irmãozinhos.
Acredite: você quis nascer meu caro! Agora que está aqui, arrume um motivo!
E nem adianta levar tudo a sério, porque todos, pobres ou ricos, belos ou feios, nascemos de uma gozada.
Segundo: porque perde seu tempo lendo o que escrevo.
Acredite: há muita coisa melhor do que isso!
E não fique achando que sou metido.
Lembre-se: todos fomos um dia!
Boa semana!

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Dia do Saci

Não vou entrar em discussões étnicas ou raciais.
Muito menos questões preconceituosas presentes na lenda do menino negro de uma perna só.
Quero falar da irreverência que o personagem desperta.
De sua destreza e velocidade com que foge dos homens de bem!
De sua ousadia em chafurdar exatamente a espécie animal mais admirada pelos homens: os cavalos!
Os gregos chegavam a plagiar  as virtudes do cavalo: força, habilidade, velocidade, pureza, autodomínio!
Guerreiros e heróis mitológicos tinham seus fiéis protetores!
E o centauro Quíron? Sábio como homem, forte como cavalo!
E Pegasus e suas asas! Não há imagem mais inebriante.
Quê dizer de Calígula? Apaixonado pela própria irmã, venerava seu Incitatus.
Calma! Não se precipite. Incitatus era seu adorável cavalo.
E por que ralhos falar de tanto cavalos se começamos com o Saci?
Porque o Saci desdenharia e infernizaria a vida de todos eles.
Guerreiros declarariam guerra ao Saci.
Heróis invocariam a ira dos deuses.
Imperadores colocariam sua cabeça a prêmio.
E o menino de gorro vermelho?
Estaria rindo de todos eles.
Por isso ele é meu herói.
Por que "em terra de Saci, qualquer chute é voadora" e "uma calça dá pra duas pessoas".

domingo, 27 de outubro de 2013

O que é o humano?

Essa semana fui surpreendido. Uma aluna, que por sinal parece gostar bastante de filosofia, me perguntou: professor, para você o que é o humano?
Pensei: por que não me perguntou o que é o humano para Nietzsche, para Sartre ou para Descartes?
Lembrei do "Humano, demasiado humano" de Nietzsche. Mas não poderia plagiá-lo. Estaria "vivendo em glória de empréstimo" como diz o próprio Nietzsche.
Lembrei-me da náusea sartreana diante do absurdo que é a vida e sua falta de sentido. Do quanto essa falta de sentido acabou por gerar inúmeros sentidos para um além-mundo, já que este não se justifica de forma alguma. Talvez por isso as religiões tenham vencido a filosofia e a ciência, como diz Lacan.
Suas promessas são inalcançáveis para qualquer regra lógica ou para qualquer possibilidade de comprovação empírica. Daí seu poder de sedução.
Lembrei também do cogito cartesiano e seu "Eu penso, eu existo", daí o humano estar profundamente atrelado ao que chamamos de razão. Mas a razão é uma invenção da filosofia, portanto também passível de refutação, pois pode ter sido inventado por alguém bastante "feio", como Sócrates.
Bom, se o humano não é razão, é instinto, é desejo, é paixão. Mas não foi Freud que teria nos alertado que  o humano foi subjugado em nome da civilização? Jamais seremos felizes!
Se tudo é absurdo, por ser humano, e se o que é humano já não mais existe para que a civilização
prossiga sua existência sem sentido, então não há o que responder.
Estamos todos perdidos.
Espero que exista um além. E que Nietzsche esteja errado!

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Orgulho besta!

É impressionante as ilusões que criamos sobre nós mesmos.
Sempre quando escrevo algum texto, me salta uma vaidade incontrolável.
Me sinto o máximo, um gênio.
Tenho orgulho de ser quem sou.
Semana passada li duas novelas de Dostoievski: A dócil e O sonho de um homem ridículo.
Esta semana acabei de ler outras duas.
Dessa vez de Tolstói: A morte de Ivan Ilitch e Senhores e servos.
Como uma avalanche me saltaram à memória Saramago com seu Ensaio sobre a cegueira,
Memorial do Convento, A Caverna e o Homem duplicado.
Depois Sartre com sua Idade da Razão, Náusea e O muro.
E para finalizar Nietzsche com sua Genealogia da moral e Assim falou Zaratustra.
Não resisti e ri de mim mesmo.
Que orgulho besta!


quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Memórias da infância!


Casa grande é espaço demais pra quem é pobre!
Apenas um quarto. Ideal quando são quatro. Esquentamos uns aos outros. Cobertor era pouco!
Dia de chuva era uma alegria só. Deitar na rua, procurando cachoeiras em sobrados.
Mas cachoeira mesmo era da casa dos quatro. Nem em supermercado se via tanto balde e tanta panela.
E a disputa pra encher a canequinha com as gotas que caiam do teto? Parecia final de copa. E o prêmio? Beber água de chuva.
Ninguém passava fome, como repete até hoje a mãe. Passávamos vontade. E vontade de tudo!
Pedido do mês era pedido do dia. O pai ficava bravo, mas não batia. Sabia que fome dói mais que cinta.
O pai trabalhava muito e quando chegava em casa, o resto de seu suor os quatro comiam: pipoca! Doce ou salgada, tanto faz. Pipoca também mata fome!
E limoeiro também! "Sal e limão afinam o sangue gurizada" dizia a mãe.
 "Dá nada mãe!" A careta compensava.
Roupa nova era luxo. A mãe, costureira de boa mão, dava jeito pra tudo. E cueca sem elástico não se joga, amarra a ponta. Desde pequeno já sabia customizar!
Corpos eram quatro! E toalha era só uma. Azar do último! Desde se cedo se aprende as regras do jogo da vida. Até irmão fica pra trás.
E carne era só no domingo. Moída. E de segunda! Pra nós era banquete. Com macarrão então, a gente era rico.
E pra beber? Garapa! De cana? Não. Água com açúcar. Dizia a mãe que curava tudo. Até fome!

Hoje não tenho mais fome.
Só saudade. De ser feliz.
 

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Dizia Foucault que os discursos produzem verdades. Pois bem! Tentarei exatamente o contrário, produzir mentiras. Não no sentido de que a mentira seja o oposto da verdade, mas apenas de que no jogo das palavras, a mentira é a outra face da moeda. E uma moeda não possui valor algum se está cunhada com apenas metade de sua efígie. Dizer a verdade não é argumentar proposições na qual a negação dessas será a produção de uma mentira. Quando os discursos respondem questões exteriores ou ordinárias, tanto faz, desde que haja quem acredite neles. A pergunta que mais me intriga é ainda a mais antiga da brevíssima história humana: quem sou.
Quando a pergunta me é posta exterior, as respostas me parecem bastante vagas e superficiais. Digo meu nome, onde moro, minha profissão, se tenho filhos, se sou casado, se moro de aluguel, se meu carro está quitado, se viajo nas férias, entre tantas possíveis. E todas essas respostas não são necessariamente mentiras, mas mostram apenas metade da efígie.
Quando sou inquirido por mim mesmo, percebo o quanto fujo de mim e produzo um autoengano. E como dizia Renato Russo: "E mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira". Está na hora de ser mais sincero comigo mesmo, se é que somos capazes de suportar subir a montanha, onde o ar é rarefeito e corpo e espírito sentem a fadiga. Mas é lá que poderemos olhar o outro lado da moeda, ou pelo menos equilibrá-la entre os dedos, como fazíamos quando crianças.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

A fala dá pena!


Devo falar corretamente. Por quanto tempo?
É todo correto o tempo?
Não foi o tempo que produziu o ódio, a espada, o canhão e a vingança? E em nome da verdade!
Devo falar corretamente. Para quê? Seduzir e enganar?
Para conduzir almas ao paraíso e viver no inferno?
Não foi em nome da verdade que dividimos os mundos?
Que tornamos Hades um carrasco, judeus a escória, muçulmanos o eixo do mal, negros a mancha na alvidez do mundo?
Então, o silêncio! Apenas correr a pena!
Mas não foi a pena que decretou a tortura, a fogueira, o patíbulo e o panóptico?
Não foi ela a desertar subversivos? Ao fogo com as letras e espíritos desviantes? À escravidão mentes vazias e corpos robustos? 
Amputar as mãos! Calar a voz!
Apenas viver.......ainda que no erro!



 

terça-feira, 12 de março de 2013

A batalha dos instintos!

Quando nos deparamos na encruzilhada entre escolher o que queremos e o que imaginamos que os outros esperam de nós, deveríamos abortar a missão. Ninguém jamais vencerá a guerra e os dois sairão sempre perdedores. Primeiro, porque o que queremos quase nunca é o que os outros esperam de nós. E o contrário também é verdadeiro. Mas se nada escolhemos, não estaríamos sendo injustos com ambas as partes? Não estaríamos sendo indiferentes conosco e com os que convivemos? Acredito que não! Se não pendemos para um dos lados, significa que optamos por não ferir nenhum dos dois. Indiferença é passar pelo outro sem reconhecê-lo, como se ele não nos dissesse coisa alguma. Se não escolhemos o que queremos, talvez estejamos dando mostras de nobre altruísmo. Afinal, o egoísmo quase sempre saiu vencedor quando as "duas espadas" dos instintos estiveram em combate!


sábado, 16 de fevereiro de 2013

O papel da dúvida na era da informação



Diariamente somos bombardeados com informações que nos chegam aos olhos e ouvidos através de pessoas com reconhecimento moral, espiritual ou acadêmico. Até mesmo “simples mortais” ganham credibilidade por terem alçado os louros da fama. Tornou-se prática comum nossos meios de comunicação sustentarem suas verdades e ideias através de especialistas, doutores, psicólogos e psiquiatras que corroboram teses “sensatas” ou sentenças sensacionalistas. Nas redes sociais é lei o compartilhamento de ideias, frases e pensamentos atribuídos a grandes nomes da filosofia, da arte, da ciência e da literatura. Nietzsche, Saramago, Clarice Lispector, Sartre, Einstein, Da Vinci e Santo Agostinho entraram para o rol da fama com frases de efeito moral, ora para enobrecer o espírito humano ora para servir de “flecha” contra os inimigos.  Jornais e revistas outorgam para si o título de “imparciais”, repetem constantemente que a verdade sempre será seu maior compromisso. Temos “receitas” para todos os problemas: para o fim da violência, para superar a obesidade, solucionar relações frustradas, afastar encostos espirituais, combater a corrupção política, dietas para o corpo belo, exercícios para combater o stress, fórmulas para o sucesso profissional, dicas para a viagem dos sonhos. Nossos neurônios e sinapses talvez nem comportem a avalanche diária de informações. Muitas delas devem se perder pelos caminhos de nossos impulsos nervosos e, quiçá, nos retornem em sonho, muitas vezes com faces monstruosas e enigmas indecifráveis. 




sábado, 9 de fevereiro de 2013

Enfim, carnaval !!

Enfim, carnaval!

Uma tregua para a dor.
Quem sabe outro amor!
Uma tregua para a fadiga.
Quem sabe outra briga!
Uma tregua à vaidade.
Somos jovens em qualquer idade!
Uma tregua para a labuta.
Começa nova luta!
Uma tregua para Deus e sermões.
A felicidade dispensa orações.
Uma tregua para a morte.
Carnaval é tempo de sorte!
Uma tregua ao hospital.
Virtude é passar mal!
Uma tregua à nobreza.
Pobre é a avareza.
Uma tregua à fama.
Rico e pobre pisam a mesma lama!
Uma tregua à depressão.
Televisão é diversão!
Uma tregua ao trabalho.
Afinal, todo mundo é falho!!


sábado, 26 de janeiro de 2013

A curiosidade fatal!


Os seres humanos possuem uma característica que fizeram dele um ser distinto em todas as épocas de nossa breve história nesse insignificante e minúsculo ponto de terra e mar: eles são curiosos. Uma curiosidade tamanha capaz de produizr inventos que traduzem belas intenções ou torpes e mesquinhos desejos. De todas as grandes invenções produzidas pela mente humana, de longe, a mais ousada, embaraçada, bela e excêntrica se chama ser humano. Somos nosso maior objeto de estudo, somos nosso maior embrolho, nosso maior paradoxo. Estranho que, diante de um sem-número de possibilidades, logo nós nos tornamos nosso maior enigma. Se fossemos capazes de mapear todos os temas de livros, ensaios, teses, tratados e artigos científicos não seria surpresa constatar que nos tornamos cobaias de nós mesmos. E mesmo uma suposta visão holística produzida por por todas elas em conjunto deixaria escapar camadas superpostas de mentiras sedimentadas que se tornaram supostas verdades. Como diz Nietzsche, a natureza se cala sobre tudo o que se relaciona ao humano, ela nada nos diz, ela não entraria num embate tão desleal e pouco sincero. Deveríamos então nos calar eternamente, abandonar nossa "fatal curiosidade"? Talvez não! Mas também não deveríamos nos tornar tão patéticos e enfadonhos,  e sim tomar tudo como uma grande brincadeira, como um grande teatro onde o ator não possui roteiro e faz tudo de improviso. E a platéia ri e chora imaginando que tudo fora previamente preparado para fazer valer o preço da bilheteria.


sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

A vida como ela não é!

A vida não é fácil. Fácil é nome de música!
A vida não é mole. Mole é sobrenome de Maria!
A vida não é doce. Doce é Maria Mole!
A vida não é suave. Suave é brisa!
A vida não é remédio. Remédio é paliativo!
A vida não é amor. Amor é platônico!
A vida não é carência. O amor é carência!
A vida não é abundância. Abundante é o medo!
A vida não é solidão. Solidão é um porto!
A vida não é passageira. Passageira é a dor!
A vida não é prazer. O vinho é prazer!
A vida não é felicidade. Só o tempo é feliz!

O que é a vida, então?

Ponte......ponte para você, ponte para outros!