quarta-feira, 24 de julho de 2013

Dizia Foucault que os discursos produzem verdades. Pois bem! Tentarei exatamente o contrário, produzir mentiras. Não no sentido de que a mentira seja o oposto da verdade, mas apenas de que no jogo das palavras, a mentira é a outra face da moeda. E uma moeda não possui valor algum se está cunhada com apenas metade de sua efígie. Dizer a verdade não é argumentar proposições na qual a negação dessas será a produção de uma mentira. Quando os discursos respondem questões exteriores ou ordinárias, tanto faz, desde que haja quem acredite neles. A pergunta que mais me intriga é ainda a mais antiga da brevíssima história humana: quem sou.
Quando a pergunta me é posta exterior, as respostas me parecem bastante vagas e superficiais. Digo meu nome, onde moro, minha profissão, se tenho filhos, se sou casado, se moro de aluguel, se meu carro está quitado, se viajo nas férias, entre tantas possíveis. E todas essas respostas não são necessariamente mentiras, mas mostram apenas metade da efígie.
Quando sou inquirido por mim mesmo, percebo o quanto fujo de mim e produzo um autoengano. E como dizia Renato Russo: "E mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira". Está na hora de ser mais sincero comigo mesmo, se é que somos capazes de suportar subir a montanha, onde o ar é rarefeito e corpo e espírito sentem a fadiga. Mas é lá que poderemos olhar o outro lado da moeda, ou pelo menos equilibrá-la entre os dedos, como fazíamos quando crianças.