quarta-feira, 4 de março de 2015

O novo é sempre um retorno!

Determinadas áreas do saber não prescindem de uma leitura ou conhecimento de sua história. É possível, e não raras vezes recomendável, que se inicie pelo seu estágio atual. Na medicina, por exemplo, a na são ser por curiosidade intelectual, acredito que quase nenhum graduando estude os escritos sobre a ótica de Descartes, visto que há muito suas hipóteses científicas foram superadas.
O mesmo valha talvez para a química, a física e a biologia. 
No caso das humanidades, ou das hoje chamadas "ciências humanas" (até não gosto muito desse título, pois toda ciência é produção humana), o mesmo me parece um erro metodológico e intelectual. Ainda que muitos defendam o fim da linearidade histórica, não há como negar a influência do passado na elaboração do debate contemporâneo das humanidades sobre o que quer que seja. Nietzsche, talvez o mais contemporâneo dos contemporâneos fundamenta sua análise filosófica sobre a obra de Platão e Kant principalmente, a eles endereçando seu martelo demolidor de valores. Portanto, ler Nietzsche sem voltar ao passado (ou pelo menos conhecê-lo na superfície) é fazer apenas exercício literário sem grandes pretensões. O que também é válido como exercício intelectual e poético no caso de Nietzsche.
Portanto, a você que escolheu as humanidades, sinto em dizer que terá um longo e duro trabalho pela frente. Um trabalho de geólogo, de arqueólogo do saber, de escavador das camadas que se sedimentaram e se tornaram verdades absolutas! Mas ele lhe propiciará um olhar mais profundo e atento. Um pensar mais lento e cauteloso na corrida contra o tempo na qual o mundo se lançou! Não se espante e nem se intimide. Muitos acharão que você atrapalha o andar da carruagem. Mal sabem eles que você estará apenas a compreender porque tanta pressa!

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