quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Miguelito e Nero: quem incendiou Roma?


Miguelito estava atônito na prisão, em sua mente o filme de sua vida passava como flashes de uma película cinematográfica. Lágrimas escorriam de sua face. Por vezes, ria de si mesmo pensando: como é que eu podia imaginar que uma simples frase pudesse confundir tanto? Vaia Roma e Vai a Roma! Brincadeira viu!
Foi nesse momento que Miguelito percebera uma confusão enorme do lado de fora, pessoas correndo, outras caindo ao chão já mortas, soldados romanos lutando entre si. De repente alguém grita: Júlio César foi morto, Brutus o apunhalou. Roma padece de um imperador!
Miguelito sente um alívio. Por hora estaria a salvo, eles se esqueceriam dele e dos leões.
Muitos sucederam o trono (Calígula, Cláudio) até que Nero1 tornou-se imperador e se afeiçoando a Miguelito (ainda preso) o tornara seu escravo. Melhor a escravidão do que a morte! Qualquer vida é melhor do que não viver!
Numa bela tarde de domingo, Nero, deitado em seu leito, se dirige a Miguelito.
- Miguelito, vem cá!
- Pois não meu amo. Devo minha vida ao senhor. Tudo que pedir, eu atenderei.
- Quero apenas um chá bem quente. Minha cabeça vai explodir. Acho que estou enlouquecendo. Todos dizem que sou louco! Antes de sair, deixe minha lira ao lado da cama, mais tarde irei compor.
- Vou preparar seu chá com um pouco de ervas medicinais. Aprendi com Hipócrates quando estive na Grécia.
- Vejo que para um escravo, você conhece o mundo Miguelito? Ainda não sei qual sua estirpe.
- Sou da espécie besouros sapiens, o último. Apesar de algumas situações desencontradas seu Nero, minhas andanças valeram a pena. Como dizia Descartes, não há livro melhor do que viajar.
- Então vá e depois você me conta sobre esse tal Descartes. Gostei dele!
(Miguelito se retira. Na cozinha, coloca uma chaleira para aquecer e sai para colher algumas ervas. No bosque do palácio vê um escravo com um objeto colado ao ouvido. Ele reconheceu de imediato, era um rádio. Mas como? Gestos, gritos, socos no ar, xingamentos. Miguelito se aproxima).
 Ei, o que você está fazendo? Parece nervoso? O que ouve aí?
- Psiiiiuuu..fala baixo. Encontrei esse objeto numa sala de objetos capturados da guerra. Ninguém sabe. Posso ser jogado aos leões se alguém descobrir. Girei esse botão e estou fascinado por esse tal Corinthians!
- Desculpe, você falou Corinthians?
- Exatamente. Esse Corinthians está jogando contra um tal Santos. É parece que é a final do Paulistão.
- O quê? Nosso coringão? “É nóis”, Todo Poderoso Timão!
- Você também é Corinthiano Miguelito? Beleza truta....fica aqui comigo....olha lá.....vai....vai Elias!!
(E a narração prossegue: Elias lança Ronaldo, ele corta o zagueiro, que corte sensacional, por cobertura.....gooooolllllll.....ele é fora de série!! Dele, dele, dele, dele....Ronaldo, é um fenômeno!)
(Miguelito e seu novo amigo cantam alucinados)
- Corinthians, Corinthians minha vida, Corinthians minha história, Corinthians meu amor....ooooooo!!!!
- Ei Miguelito, Miguelito, peraí pô! Que fumaça é essa? Nossa, parece que a cozinha está pegando fogo! Pelos deuses, todo o palácio está em chamas! Vamos subir na varanda do Palácio. Rápido, lá é mais seguro!
(Miguelito e seu fiel amigo param e observam estarrecidos toda a Roma incendiada. De dentro do palácio ouve-se um grito).
- Migueeeeliiiiitoooooooooo!!! Cadê você? Que fumaça é essa lá fora? Algum vizinho está fazendo churrasco? Ai minha cabeça! Cadê meu chá Miguelito?
- Putz..a chaleira...o chá! Huummmm...foi mal seu Nero!

1 - Nero Cláudio César Augusto Germânico (em latim Nero Claudius Cæsar Augustus Germanicus; Anzio, 15 de dezembro de 37 d.C. — Roma, 9 de junho de 68),[1] foi um imperador romano que governou de 13 de outubro de 54 até a sua morte, a 9 de junho de 68.

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