sábado, 26 de janeiro de 2013

A curiosidade fatal!


Os seres humanos possuem uma característica que fizeram dele um ser distinto em todas as épocas de nossa breve história nesse insignificante e minúsculo ponto de terra e mar: eles são curiosos. Uma curiosidade tamanha capaz de produizr inventos que traduzem belas intenções ou torpes e mesquinhos desejos. De todas as grandes invenções produzidas pela mente humana, de longe, a mais ousada, embaraçada, bela e excêntrica se chama ser humano. Somos nosso maior objeto de estudo, somos nosso maior embrolho, nosso maior paradoxo. Estranho que, diante de um sem-número de possibilidades, logo nós nos tornamos nosso maior enigma. Se fossemos capazes de mapear todos os temas de livros, ensaios, teses, tratados e artigos científicos não seria surpresa constatar que nos tornamos cobaias de nós mesmos. E mesmo uma suposta visão holística produzida por por todas elas em conjunto deixaria escapar camadas superpostas de mentiras sedimentadas que se tornaram supostas verdades. Como diz Nietzsche, a natureza se cala sobre tudo o que se relaciona ao humano, ela nada nos diz, ela não entraria num embate tão desleal e pouco sincero. Deveríamos então nos calar eternamente, abandonar nossa "fatal curiosidade"? Talvez não! Mas também não deveríamos nos tornar tão patéticos e enfadonhos,  e sim tomar tudo como uma grande brincadeira, como um grande teatro onde o ator não possui roteiro e faz tudo de improviso. E a platéia ri e chora imaginando que tudo fora previamente preparado para fazer valer o preço da bilheteria.


sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

A vida como ela não é!

A vida não é fácil. Fácil é nome de música!
A vida não é mole. Mole é sobrenome de Maria!
A vida não é doce. Doce é Maria Mole!
A vida não é suave. Suave é brisa!
A vida não é remédio. Remédio é paliativo!
A vida não é amor. Amor é platônico!
A vida não é carência. O amor é carência!
A vida não é abundância. Abundante é o medo!
A vida não é solidão. Solidão é um porto!
A vida não é passageira. Passageira é a dor!
A vida não é prazer. O vinho é prazer!
A vida não é felicidade. Só o tempo é feliz!

O que é a vida, então?

Ponte......ponte para você, ponte para outros!


quinta-feira, 30 de agosto de 2012

"Dor de dente"

Todos os humanos consideram-se seres inteligentes, sagazes e perspicazes.
Pelos menos potencialmente isso não deixa de ser coerente, visto que na história
conhecemos alguns poucos exemplos de humanos excepcionais.
Nós pobres mortais nos contentamos com nossos minutos de fama.
Mas numa coisa todos nós somos iguais, nobres ou plebeus: com "dor de dente" não há sensatez que resista, nem pensamento que exiba um resquício de lógica, muito menos perspicácia para ouvir o zumbido do pernilongo mais chato.
Dizia Montaigne que se alguém nos olha com desdém e soberba, é só imaginá-lo
ao sanitário, e todos nos igualamos, afinal: "Reis e filósofos defecam!"
Pretenciosamente acrescentaria a essas sábias palavras do mestre cético as minhas:
se alguém o olhar com ar de superioridade, imagine-o com "dor de dente".
Pronto, toda sua fortaleza vai à ruína. Nem Aquiles sairia em batalha! Afinal:
"Heróis e covardes igualam-se diante da dor!"
Como não sou herói, mas um pouco covarde, vou cuidar da minha!
Alguém tem um martelo?

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Pelos olhos da máquina!

É curiosa a montanha de mensagens postadas diariamente nas redes sociais. Muitas com palavras de afeto, outras de otimismo, algumas refletindo amarguras e decepções de toda sorte. Outras tantas realizando mil e um malabarismos para arrancar de nós um riso.  Vez ou outra alguma um pouco mais simpática e criativa nos faz brevemente vibrar a alma e encher os olhos.  Deuses de todas as estirpes são ali defendidos, louvados, amados e temidos. Até o diabo tem ali seu espaço, mesmo que para maldizê-lo ou fazer dele um bonde expiatório de todas as nossas mazelas. Ali também encontramos festa, glamour, voyeurs, exibicionismos de toda sorte, nossos 15 segundos de fama sobre a mira telescópica de alguns olhares. Por isso é cada vez mais comum ouvirmos pessoas dizerem que não viveriam sem estarem conectadas, suas vidas perderiam completamente o sentido! Estranho, milhares de anos pensadores e filósofos de todas as nações buscando o sentido de nossa existência, e agora descobrimos que o sentido é não mais sentir? É apenas ver e ser visto? E vistos por olhos que não são nossos, mas de máquina?
E máquina exala cheiro? Sente lábios carnudos sobre sua boca? Sente o cheiro do pecado? Reza pela absolvição? Pede perdão? Ama incondicionalmente? Mata impunemente? Sonha acordado? Teme ser amado?
Um ótimo feriadão! E vê se respira um pouco de ar puro e dá uns beijos calientes pra sentir o sangue na veia!

domingo, 29 de abril de 2012

Voltei!

Para a felicidade de poucos, voltei!
Voltei não porque fui. Voltei porque nunca estive em lugar algum.
Voltei não porque viajei. Quem viaja nunca quer voltar.
Voltei não porque parti. Na verdade, nunca fiquei.
Voltei não por mim. Mas também não voltei por você.
Voltei não por dinheiro. Dinheiro algum compra pensamento. Fingimos que o vendemos.
Voltei não para fazer amigos. Amigos não se conquistam em um único dia.
Voltei não por fama. Fama se conquista arduamente e se perde por muito pouco.
Voltei não por egoísmo. Egoístas como eu não fingem altruísmo.
Voltei para que meus pensamentos não sejam prisioneiros de mim mesmo.
Voltei porque sou louco. Louco pela própria loucura.

Um ótimo feriado. Afinal, o trabalho é para muitos. O ócio inteligente é para poucos.