quarta-feira, 24 de julho de 2013

Autoengano

Dizia Foucault que os discursos produzem verdades. Pois bem! Tentarei exatamente o contrário, produzir mentiras. Não no sentido de que a mentira seja o oposto da verdade, mas apenas de que no jogo das palavras, a mentira é a outra face da moeda. E uma moeda não possui valor algum se está cunhada com apenas metade de sua efígie. Dizer a verdade não é argumentar proposições na qual a negação dessas será a produção de uma mentira. Quando os discursos respondem questões exteriores ou ordinárias, tanto faz, desde que haja quem acredite neles. A pergunta que mais me intriga é ainda a mais antiga da brevíssima história humana: quem sou.
Quando a pergunta me é posta exterior, as respostas me parecem bastante vagas e superficiais. Digo meu nome, onde moro, minha profissão, se tenho filhos, se sou casado, se moro de aluguel, se meu carro está quitado, se viajo nas férias, entre tantas possíveis. E todas essas respostas não são necessariamente mentiras, mas mostram apenas metade da efígie.
Quando sou inquirido por mim mesmo, percebo o quanto fujo de mim e produzo um autoengano. E como dizia Renato Russo: "E mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira". Está na hora de ser mais sincero comigo mesmo, se é que somos capazes de suportar subir a montanha, onde o ar é rarefeito e corpo e espírito sentem a fadiga. Mas é lá que poderemos olhar o outro lado da moeda, ou pelo menos equilibrá-la entre os dedos, como fazíamos quando crianças.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

A fala dá pena!


Devo falar corretamente. Por quanto tempo?
É todo correto o tempo?
Não foi o tempo que produziu o ódio, a espada, o canhão e a vingança? E em nome da verdade!
Devo falar corretamente. Para quê? Seduzir e enganar?
Para conduzir almas ao paraíso e viver no inferno?
Não foi em nome da verdade que dividimos os mundos?
Que tornamos Hades um carrasco, judeus a escória, muçulmanos o eixo do mal, negros a mancha na alvidez do mundo?
Então, o silêncio! Apenas correr a pena!
Mas não foi a pena que decretou a tortura, a fogueira, o patíbulo e o panóptico?
Não foi ela a desertar subversivos? Ao fogo com as letras e espíritos desviantes? À escravidão mentes vazias e corpos robustos? 
Amputar as mãos! Calar a voz!
Apenas viver.......ainda que no erro!



 

terça-feira, 12 de março de 2013

A batalha dos instintos!

Quando nos deparamos na encruzilhada entre escolher o que queremos e o que imaginamos que os outros esperam de nós, deveríamos abortar a missão. Ninguém jamais vencerá a guerra e os dois sairão sempre perdedores. Primeiro, porque o que queremos quase nunca é o que os outros esperam de nós. E o contrário também é verdadeiro. Mas se nada escolhemos, não estaríamos sendo injustos com ambas as partes? Não estaríamos sendo indiferentes conosco e com os que convivemos? Acredito que não! Se não pendemos para um dos lados, significa que optamos por não ferir nenhum dos dois. Indiferença é passar pelo outro sem reconhecê-lo, como se ele não nos dissesse coisa alguma. Se não escolhemos o que queremos, talvez estejamos dando mostras de nobre altruísmo. Afinal, o egoísmo quase sempre saiu vencedor quando as "duas espadas" dos instintos estiveram em combate!


sábado, 16 de fevereiro de 2013

O papel da dúvida na era da informação



Diariamente somos bombardeados com informações que nos chegam aos olhos e ouvidos através de pessoas com reconhecimento moral, espiritual ou acadêmico. Até mesmo “simples mortais” ganham credibilidade por terem alçado os louros da fama. Tornou-se prática comum nossos meios de comunicação sustentarem suas verdades e ideias através de especialistas, doutores, psicólogos e psiquiatras que corroboram teses “sensatas” ou sentenças sensacionalistas. Nas redes sociais é lei o compartilhamento de ideias, frases e pensamentos atribuídos a grandes nomes da filosofia, da arte, da ciência e da literatura. Nietzsche, Saramago, Clarice Lispector, Sartre, Einstein, Da Vinci e Santo Agostinho entraram para o rol da fama com frases de efeito moral, ora para enobrecer o espírito humano ora para servir de “flecha” contra os inimigos.  Jornais e revistas outorgam para si o título de “imparciais”, repetem constantemente que a verdade sempre será seu maior compromisso. Temos “receitas” para todos os problemas: para o fim da violência, para superar a obesidade, solucionar relações frustradas, afastar encostos espirituais, combater a corrupção política, dietas para o corpo belo, exercícios para combater o stress, fórmulas para o sucesso profissional, dicas para a viagem dos sonhos. Nossos neurônios e sinapses talvez nem comportem a avalanche diária de informações. Muitas delas devem se perder pelos caminhos de nossos impulsos nervosos e, quiçá, nos retornem em sonho, muitas vezes com faces monstruosas e enigmas indecifráveis. 




sábado, 9 de fevereiro de 2013

Enfim, carnaval !!

Enfim, carnaval!

Uma tregua para a dor.
Quem sabe outro amor!
Uma tregua para a fadiga.
Quem sabe outra briga!
Uma tregua à vaidade.
Somos jovens em qualquer idade!
Uma tregua para a labuta.
Começa nova luta!
Uma tregua para Deus e sermões.
A felicidade dispensa orações.
Uma tregua para a morte.
Carnaval é tempo de sorte!
Uma tregua ao hospital.
Virtude é passar mal!
Uma tregua à nobreza.
Pobre é a avareza.
Uma tregua à fama.
Rico e pobre pisam a mesma lama!
Uma tregua à depressão.
Televisão é diversão!
Uma tregua ao trabalho.
Afinal, todo mundo é falho!!